sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Eis que surge o Michael Jackson

Ellen Mattiello

Minha primeira visita à Vila Brás foi em 21 de agosto, juntamente com os colegas e professores da disciplina de Redação Experimental em Jornal. Para a maioria, a Brás era uma novidade. O conceito de “novo” assusta, principalmente quando criamos expectativas.

Eu mal sabia o que me esperava. Não tinha noção de como funcionavam as coisas por lá e como era a receptividade das pessoas. Outro fator que me preocupava era a pauta. Não sabia mesmo o que fazer. Ouvi relatos de colegas que afirmavam ter encontrado a pauta perfeita ao caminhar pelas ruas. Confesso que não acreditava nisso. Para mim, era simplesmente impossível encontrar algo interessante do nada. Entretanto, tudo mudou naquele dia. De repente, surgiu o Michael Jackson.

Estávamos eu e mais duas colegas caminhando pela Avenida Leopoldo Wasun em busca de pautas. Imaginava uma Brás bem diferente da que eu vi. Deparei-me com diferentes realidades convivendo lado a lado e pessoas simples e receptivas. A rua estava pouco movimentada, era difícil pensar em alguma matéria nessas condições. Num determinado momento, ouvi um coro gritando “E aí, Da Hora?”. Então, avistei um homem de chapéu com uma garrafa de refrigerante na mão. Minha pauta estava ali.

Ao chamar o “Da Hora” para conversar, percebi o quão querido ele é na comunidade. Todos que passavam o cumprimentavam. Pedi que se apresentasse para mim e para as colegas. Ele apenas disse: “Meu nome é Michael Jackson e tenho a idade de Cristo”. Entre um diálogo e outro, crianças pediam para que dançasse como o Rei do Pop, algo que fazia com muito talento, por isso recebeu o apelido de “Da Hora”. Logo, conheci sua casa, uma Kombi, que estava estacionada na avenida principal. Em seguida, nos proporcionou um tour pela Brás, um momento importante não apenas para descobrir boas pautas, mas, sobretudo, para conhecer mais sobre a vida no local.

Passaram quase duas semanas e aquela visita continua marcante. Estou ansiosa para ver o jornal pronto e entregá-lo aos moradores. Melhor do que ver um trabalho finalizado é presenciar a alegria da comunidade ao ver como a participação deles é importante para a experiência pessoal e profissional de futuros jornalistas.

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