Na edição anterior contei a história de uma menina de 12 anos chamada Micaela que sonha em ser jornalista. O que eu não contei foi como eu a conheci.
Era mais um sábado na Vila Brás, e quando descemos do ônibus, às 9h30, saímos às catas de uma pauta que fosse interessante e única. Depois de caminhar para lá e para cá, com o meu colega Leandro Vignoli, pelas tantas vimos uma lan house e locadora, resolvemos parar.
Já tinha dois colegas fazendo uma entrevista com o dono. O Leandro pensou rapidamente e resolveu fazer uma matéria sobre Orkut e rede sociais. Eu continuei viajando em pensamentos sobre o que ia fazer, já que o tempo estava começando a ficar bem apertado. Ele entrevistou uma menina que estava na frente do estabelecimento, que por acaso era filha dos donos. Quando ele saiu para entrevistar a mãe da guria, eu fiquei conversando com ela. E foi nessa conversa despretensiosa que eu descobri o que Micaela queria ser quando crescer. Quando ela me disse que queria ser jornalista porque gostava de se comunicar, de ler, escrever e, principalmente, porque ela via os alunos, nós, nos sábados de manhã circulando pela vila e achando que aquilo era muito legal e que era o queria fazer também. Então pensei –“Tá aí uma pauta legal”.
Quando contei pro meu colega Leandro sobre a minha pauta. Ele ficou dizendo – “Isso é imprensa marrom. Tu roubou a minha fonte. Não pode!!!”. No inicio me senti meio mal, e constrangida, porque de certa forma eu realmente roubei a fonte dele. Mas parei. Pensei. E cheguei à conclusão de que a culpa não era minha se ele não tinha feito perguntas além da pauta dele e conversado com ela.
Sinto muito Leandro, mas ninguém mandou não conversar e saber sobre a vida da sua fonte. E obrigada pela pauta!
Nenhum comentário:
Postar um comentário