sexta-feira, 1 de outubro de 2010

No vai e vem das pequenas ruas


Fabrício Preto

Sempre fui interessado nas questões relacionadas à juventude. Essa parcela da sociedade, por um lado tão vivo e transformador, sofre duras ações que a tornam a cada dia mais à margem. A juventude não é apenas um estado de espírito. É o modo de agir na sociedade com suas próprias características e anseios.

Encontrei na Vila Brás uma diversidade juvenil. Desci do ônibus com o desejo de estar aberto para o que encontrar, compreendendo o jovem assim como ele é. Escolhi entrar pelas ruas, observando o movimento e o andar de um lado para o outro de adolescentes e jovens em seus pequenos grupos.

Na primeira abordagem, percebi um certo receio da gurizada. Eram dois jovens que estavam indo jogar futebol, fazendo pequenos toques de bola pela rua. Respostas curtas e pouca vontade de colaborar.

Foi nas ruas mais carentes que Danitieli apareceu. Sincera, cheia de sonhos e marcada por uma dura realidade. Em muitas vezes fiquei sem ação, tentando refletir em poucos segundos as suas histórias. Ela reproduzia a preocupação com a falta de espaços que oportunizem educação, cultura e lazer.  Nas falas dos que encontrei, a violência é também lembrada como um dos maiores problemas vividos pelos jovens.

Ainda teremos mais algumas passagens pela vila. No vai e vem das pequenas ruas, a juventude segue caminhando, vivendo o hoje com a incerteza de uma sociedade que oferece poucas oportunidades.

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