Na primeira ida à Vila Brás, pisei em um lugar desconhecido aos meus pés, mas não aos meus olhos. Já havia vislumbrado algumas particularidades da Avenida Leopoldo Wasun através da janela do ônibus. Muito andei com a famosa linha que vai de São Leopoldo a Novo Hamburgo e, no meio do trajeto, faz uma breve incursão à Vila.Nas inúmeras vezes que passava por lá, observava com curiosidade a simplicidade do lugar e dos moradores que embarcavam e desembarcavam no bairro. Mas talvez o que mais me chamava atenção eram as crianças.
É difícil ver, nos lugares pelos quais estamos acostumados a transitar, tantos moleques correndo rua. Na Vila Brás, lembrei da minha infância. Lembrei que os momentos mais alegres daquela época eram jogar bola na rua pouco movimentada, andar de bicicleta, alvejar passarinhos com a funda... Brincadeira! Nunca matei um passarinho na minha vida - sou completamente contra. Mas sempre achei essas atividades outdoor muito mais divertidas que qualquer jogo de computador ou programa de TV.
Na primeira edição do Enfoque, escrevi sobre a falta de um campo decente para os garotos da Brás jogarem futebol, a paixão-mor tupiniquim. Ainda penso que existe essa carência, mas depois percebi que as crianças não se importam tanto com isso.
Na terceira saída a campo, estava eu com o colega André "Gaucho" Ávila, perscrutando as entranhas da Brás, quando avistamos um rapazio composto por cinco simpáticos moleques - posteriormente reforçado por um sexto elemento que, mesmo com o punho e parte da mão enfaixados, não deixou de participar das brincadeiras. Papo vai, papo vem, eles revelaram que usam as casas pré-moldadas em construção do loteamento Padre Orestes como playground para brincar de esconde-esconde. Sensacional. Queríamos ver aquilo e eles, mais do que prontamente, começaram a folia. Logo percebemos que aquilo renderia belas imagens. André se encarregou dos cliques e congelou excelentes cenas.
Talvez será esse meu sentimento final após essas visitas. A Vila Brás, pra mim, significou uma volta ao passado. À infância, o filé da vida.
na primeira vez (e ultima) que peguei este ônibus, as crianças esperavam no fim da rua (pois a rua não tinha saida, portanto o motorista precisava manobrar para fazer a volta) para jogar pedras no ônibus.
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