Desci do ônibus na Vila Brás com pouca, para não dizer nenhuma expectativa de encontrar pautas interessantes. Estava cansada de uma semana corrida, com dor de cabeça e ainda gripada. Todos os indícios que tornam o dia um tanto difícil. Porém, mais uma vez, fui surpreendida pelas histórias existentes por lá.
Caminhei por algumas ruas, conversei com alguns moradores, pensei em algumas pautas que caíram no mesmo momento em que surgiram. Até que encontrei uma recenseadora aplicando o questionário do Censo em uma residência. De alguma maneira, achei que isto poderia render alguma coisa, e a verdade é que rendeu uma baita lição de vida.
Conversando com a recenseadora, soube que ela conheceu uma família de 16 pessoas que morava numa mesma casa e possuía uma renda mensal de R$200,00! Conversando mais um outro pouco, ela se lembrou de uma senhora que morava num beco e dizia ter 105 anos. Bingo! Parei a conversa por aí e tratei de descobrir o endereço dessa história peculiar.
Depois de muito caminhar acompanhada de outra recenseadora da Vila, encontramos o beco no qual residia Dona Idalina. O acesso a casa foi difícil, pois havia chovido no dia anterior e a casa alagava com o ESGOTO, pois não há saneamento básico por lá. Conversamos por quase 1h com a senhora de 105 anos, ouvimos histórias de guerra, de sua juventude, seus casamentos, filhos, mas, principalmente, do sofrimento que enfrenta diariamente naquela dura realidade. Realidade em que a faz, nessa altura da vida, calçar galochas para enfrentar o esgoto e chegar à latrina, nos fundos de casa.
E eu reclamando que meu dia estava difícil.
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