Na segunda visita à Vila Brás já sabemos de alguns caminhos. Primeiro já sabemos onde não ir buscar uma matéria, não repetimos fontes nem procuramos os mesmos assuntos, personagens, nem mesmo a mesma rua. Esse é o primeiro passo. Depois disso, resta pensar em tudo o que há de novo, ou seja, novamente partimos do zero, conversando com os moradores como se fosse a primeira vez, ainda.
Conversando com alguns moradores no meio da rua, na parada de ônibus, ou tomando o chimarrão na calçada, entrei uma mulher que, orgulhosamente, dizia trabalhar há 10 anos com carteira assinado e com apenas três faltas no trabalho – todas justificadas. Disse que era bem caprichosa com sua casa, cuidava de todos os detalhes, coloria o que podia e quando podia. Na minha cabeça ficou a vontade de registrar o cuidado da moradora com sua casa, no loteamento Vila Brás 3. Após perguntar se eu poderia conhecer sua rua, logo sua casa e escrever sobre isso, a jovem moradora gostou da idéia, porém estava saindo do bairro em direção ao seu trabalho. Depois de uma conversa que poderia render uma boa pauta, voltei ao início. Mas por curiosidade fui procurar a casa. Não encontrei.
Encontrei, sim, seu Pedro. Simpático morador do mesmo bairro que a não-entrevista de antes. Logo no começo da conversa Pedro disse estar satisfeito com a nova vida, novos vizinhos e que não pretendia sair do atual endereço. E na frase seguinte deu a minha pauta. “Esses dias mesmo, me ofereceram R$3 mil pela casa, mas não aceitei”.
A matéria seria sobre a venda de casas recebidas do governo, pela reapropriação ou reassentamento, que alguns moradores acabavam por fazer. O ciclo vicioso da casa própria e invasões. Seu Pedro preferia ficar onde estava; outros preferem andar aos passos de caranguejo.
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