sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Manhã na Vila

José Frederico Dilly

Nunca havia estado na Vila Brás. Já passara de ônibus algumas vezes, embora não soubesse que o lugar de ruas estreitas, cães aos montes, comércio farto, fosse a Brás. E quando o ônibus da nossa turma estacionou lá, imagino que fossem essas as primeiras impressões de quem, como eu, vinha de fora, observou: as ruas estreitas, os cães aos montes e o comércio farto. Mas é claro que não é só isso que é a Vila. Caminhando por ela, desbravando-a e conversando com os moradores é que vamos nos habituando a todo o ambiente. Conversar com o pessoal da Vila é algo agradável. Todos têm algo a contar, todos querem contar alguma coisa. O morador com quem conversei inicialmente tomava café em um copo em frente a sua casa. Logo juntaram-se sua esposa e um rapaz que esqueci de perguntar quem era. Pareciam que gostavam da presença do Enfoque. Assim como outra moradora, que dirigiu-se a nós, alunos, em um bar, reclamando de uma reportagem da edição anterior e encontrando a oportunidade de dar sua versão. Ou do rapaz, orgulhoso, dizendo que o personagem da capa do jornal anterior, que pisava sobre uma bola, era ele. Foi vivenciar o jornalismo na essência: ouvir aqueles que têm alguma coisa a nos dizer.

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